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Justiça Portuguesa

27 Set

Uma boa Lei Portuguesa tem de ter algumas características-chave:

  1. Extensa – Uma boa lei tem de ser extensa. Se possível, não revogar mas apenas alterar uma anterior, para que a composição resultante desta amalgama seja ainda mais extensa. Além disso, quanto mais extensas, maior é o filão da sua interpretação posterior (“Pareceres”). É só vantagens!
  2. Detalhada – Para ajudar ao primeiro ponto e, acima de tudo, os amigos. Todo o tipo de apoios devem ser incluídos, mas nunca divulgados – para beneficiar apenas quem deles tenha conhecimento. Por exemplo, quem sabe que pode descontar o valor gasto em creches na sua TSU?
  3. Discricionária – Acima de tudo, a legislação deve conferir o máximo de poder discricionário a quem a aplica, para permitir uma decisão “livre”. A letra da lei pode por vezes estar a favor e outra vezes contra nós. Os nossos associados estão sempre connosco, logo são muito mais confiáveis.

Quem ganha com “O Sistema”? Quem cria as leis. Quem as interpreta. Quem vende o segredo para as ultrapassar. É um negócio. E não é dos mais dignos.

Exemplos? O tratamento diferenciado de Leonor Cipriano e Kate McCann, o caso Casa Pai a caminho da prescrição, José Sócrates a caminho da reabilitação, Isaltino a exercer…

O Estado é forte com os fracos e fraco com os fortes.
Na realidade, é tudo uma questão de dinheiro e posição.

Já agora, fica aqui uma descrição sobre como funciona a Justiça em Portugal para pessoas importantes (Ashera):

A justiça em Portugal parece-lhe confusa? Não faz ideia porque é que todos os processos que envolvem pessoas importantes acabam sempre em regabofe? Diga não à desorientação! Em apenas 20 passos, eis o guia ideal para entender todos os casos que em Portugal começam com a palavra “caso”:

1) Os jornais publicam uma notícia sobre qualquer pessoa muito importante que alegadamente fez qualquer coisa muito má.

2) Essa pessoa muito importante considera-se vítima de perseguição por parte de forças ocultas.

3) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso desrespeito do segredo de justiça em Portugal, que possibilita a actuação de forças ocultas.

4) Inicia-se o debate sobre o segredo de justiça em Portugal.

5) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar na legislação portuguesa para que estas coisas não aconteçam.

6) Toda a gente conclui que não se pode mudar a quente a legislação portuguesa.

7) A legislação portuguesa não chega a ser mudada para que estas coisas não aconteçam.

8) As coisas voltam a acontecer: os jornais publicam notícias sobre essa pessoa muito importante dizendo que ainda fez coisas piores do que as muito más.

9) Outras pessoas importantes vêm alertar para o vergonhoso jornalismo que se faz em Portugal, que nada investiga e se deixa manipular por forças ocultas.

10) Inicia-se o debate sobre o jornalismo português.

11) Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar no jornalismo português.

12) Toda a gente conclui que estas mudanças só estão a ser debatidas porque quem alegadamente fez uma coisa muito má é uma pessoa muito importante.

13) Nada muda no jornalismo português.

14) Enquanto o mecanismo se desenrola do ponto 1) ao ponto 13) a justiça continua a investigar.

15) Após um período de investigação suficientemente longo para que já ninguém se lembre do que se estava a investigar a justiça finaliza as investigações e conclui que a pessoa muito importante:
a) Não fez nada de muito mau.
b) Já prescreveu o que quer que tenha feito de muito mau.
c) É possível que tenha feito algo de muito mau mas não se reuniram provas suficientes.
d) Afinal o que fez não era assim tão mau.

16) Pessoas importantes que são amigas dessa pessoa muito importante concluem que ela foi vítima de perseguição por parte de forças ocultas.

17) Pessoas importantes que não são amigas dessa pessoa muito importante concluem que em Portugal nada acontece às pessoas muito importantes que fazem coisas alegadamente muito más.

18) As pessoas citadas no ponto 17) iniciam mais um debate sobre a justiça em Portugal.

19) As pessoas citadas no ponto 16) iniciam mais um debate sobre o jornalismo em Portugal.

20) Os jornais publicam uma outra notícia sobre uma outra pessoa muito importante que alegadamente terá feito outra coisa muito má. Repetem-se os passos 1) a 19).

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1 Comentário

Publicado por em 27 27UTC Setembro 27UTC 2012 em Política, Portugal, Regulação

 

Etiquetas:

One response to “Justiça Portuguesa

  1. liliana fonseca

    28 28UTC Setembro 28UTC 2012 at 1:08

    Isto lembra-me os srs deputados do PS a pedir a demissão da ministra da Justiça porque ela diz que não há ninguém acima da lei e se acabou a impunidade, até falam em PIDE… enfim… passo nº2

     

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