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A Economia Austríaca e a Matemática

19 Mar

lower_mississippi_mapJá por diversas vezes ouvi dizer que “Vocês Austríacos têm a Praxeologia e não querem saber da Matemática – e é por isso que eu não sou Austríaco!”

Para responder a esta crítica, gostaria de começar com um exemplo protagonizado por um grande Econometrista. Perguntaram-lhe uma vez:
– Em que direcção corre o Rio Mississipi?
Ao que o Econometrista sorriu e correspondeu:
– Para que direcção quer que ele corra?

Passo a explicar. É sabido que o Rio Mississippi, como a grande maioria dos rios do seu porte, corre de Norte para Sul. E que muito dificilmente correrá ao contrário. (1) Mas imaginemos por momentos que era relevante a direcção da corrente para um político. Imaginemos então que era criada uma comissão de econometristas para analisar a questão. (2) Imaginemos então que, por exemplo, e escolhia uma secção particularmente ventosa do rio em que o vento era contrário à corrente e se colocava um barco à vela. Ou que se escolhia uma secção em que, entre duas curvas o sentido era naquele troço o pretendido. (3) Colocavam-se depois os medidores da posição de GPS mais precisos (e caros, claro) disponíveis. Os dados eram gravados em tempo real e num detalhe nunca antes alcançado. (4) Era depois feita uma análise em super-computadores para determinar se de facto o barco tinha andado na direcção pretendida. Por exemplo, usando não só a posição, mas também a distância face ao centro teórico da Terra. Matematicamente, estava provado – e com modelos inquestionáveis pois seriam imperceptíveis para o comum dos mortais – que o rio fluía como o político dizia!

Repare-se que as partes fundamentais são:

  1. Determinar o sentido desejado;
  2. Arranjar um método para provar esse sentido;
  3. Medir exaustiva e ad nauseum cada detalhe;
  4. Realizar uma análise por especialistas para especialistas.

Claro: medir com um barco à vela ou numa secção particular do rio é inválido e mesmo estúpido. Mas esta é a parte assustadora: quantas vezes acha que esta falácia é usada? Para medir a Inflação. Para medir o PIB. Para medir o Desemprego. Para comparar Salários entre grupos. Para punir preços monopolistas, predatórios ou de conluio. Para impor uma regulação num sector. Para…

Os Austríacos acham a matemática útil. É uma ferramenta e é para ser usada. Mas cuidado com ela: ela só mede a realidade. Ela não a explica. Não a modeliza. Não estuda os pressupostos. Não questiona a lógica dos dados inseridos. Não explica porque um determinado praticou uma determinada acção. Para isso, para nos guiar na direcção correcta e nos questionarmos que dados medir, temos a Praxeologia.

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Publicado por em 19 19UTC Março 19UTC 2013 em Humor, Política, Teorias Eco.

 

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